O valor extrínseco e intrínseco do trabalho.
Mídias sociais são estranhas.
Confundem a virtude com a virtualidade.
Há filtros para as imagens, para as palavras e para
a
própria personalidade.
Muitos se jactam de um glamour que de fato não
existe.
São eufemismos variados para mascarar ou mesmo
esconder a distância entre os discursos que atendem
aos anseios públicos e a realidade,
em muitos casos ainda provinciana das empresas
nesse país.
A tecnologia mudou, os termos mudaram, mas a
essência
das relações continua a mesma em muitíssimos casos.
Todos tem direito a um lugar ao sol. Alguns estão
em
paradisíacas praias com seus drinks decorados com
frutas frescas, coloridos
guarda-chuvinhas e com o inebriante álcool em sua
essência, enquanto muitos
estão sendo esturricados sob esse, executando
funções de caráter infra(alguma
coisa).
Notem o glamour de um teatro luxuoso onde um famoso
pianista deliciará aos ouvintes com sua técnica e
magia. Todos reconhecem a
qualidade musical do instrumento e o dom do
pianista (nem sempre o esforço e
anos de estudo).
Mas não haveria a apresentação e alguém não tivesse
carregado o piano até o palco.
Quantas mãos foram necessárias para que a plateia
tivesse aquela oportunidade?
Quanto do valor de cada entrada será distribuído
para
os donos de esses braços?
Quanto vale a vida deles medida nas horas que se
dedicaram àquelas atividades?
Alguns dirão: “Se não fosse o concerto ninguém
teria um trabalho”. Não se discute aqui a realidade social, mas sim a dinâmica
do processo.
Sabe-se que é insustentável manter íntegro o tecido
social numa sociedade tão desigual em suas diversas nuances.
Outro ouvi uma conversa que vazou da mesa vizinha
num restaurante qualquer: "Você coloca mil reais aqui ou ali, compra umas
coisinhas, para satisfazer um gosto".
Notem o significado de mil reais para essa pessoa.
Não é relevante simplesmente porque mil reais não é mesmo relevante.
Mas quantos "vivem" com isso ou mesmo
menos do que isso!
O pragmatismo que determina a renda de grande parte
da população do país se relativisa quando trata do próprio estilo de vida de
quem os aplica.
No final tudo se justifica. O valor de cada coisa
dependerá da realidade de quem o atribui e não de quem lhes sofre as
consequências.
Já que não me toca efetivamente e diretamente minha
vida se o considere fora, extra, extrínsico à realidade especifíca de quem não
vive a excrudência.
Totalmente intríseco para aqueles que carregam os
pianos diários. Pior ainda será quando já nem isso puderem fazer.
Mas não tem problema pois nossa sociedade é prima
por produzir poucos pianistas para os poucos teatros para seu exclusívo público
e muitas, mas muitos braços para carregar pianos. Braços esses que substituem
as hérnias que levaram os antigos. Mas isso só até eles serem totalmente
dispensáveis.
Mas bolhas não duram para sempre.
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