quinta-feira, 13 de janeiro de 2022



O valor extrínseco e intrínseco do trabalho.

 

Mídias sociais são estranhas.

Confundem a virtude com a virtualidade.

Há filtros para as imagens, para as palavras e para a

própria personalidade.

Muitos se jactam de um glamour que de fato não

existe.

São eufemismos variados para mascarar ou mesmo

esconder a distância entre os discursos que atendem aos anseios públicos e a realidade,

em muitos casos ainda provinciana das empresas nesse país.

A tecnologia mudou, os termos mudaram, mas a essência

das relações continua a mesma em muitíssimos casos.

Todos tem direito a um lugar ao sol. Alguns estão em

paradisíacas praias com seus drinks decorados com frutas frescas, coloridos

guarda-chuvinhas e com o inebriante álcool em sua essência, enquanto muitos

estão sendo esturricados sob esse, executando funções de caráter infra(alguma

coisa).

Notem o glamour de um teatro luxuoso onde um famoso

pianista deliciará aos ouvintes com sua técnica e magia. Todos reconhecem a

qualidade musical do instrumento e o dom do pianista (nem sempre o esforço e

anos de estudo).

Mas não haveria a apresentação e alguém não tivesse

carregado o piano até o palco.

Quantas mãos foram necessárias para que a plateia

tivesse aquela oportunidade?

Quanto do valor de cada entrada será distribuído para

os donos de esses braços?

Quanto vale a vida deles medida nas horas que se

dedicaram àquelas atividades?

Alguns dirão: “Se não fosse o concerto ninguém teria um trabalho”. Não se discute aqui a realidade social, mas sim a dinâmica do processo.

Sabe-se que é insustentável manter íntegro o tecido social numa sociedade tão desigual em suas diversas nuances.

Outro ouvi uma conversa que vazou da mesa vizinha num restaurante qualquer: "Você coloca mil reais aqui ou ali, compra umas coisinhas, para satisfazer um gosto".

Notem o significado de mil reais para essa pessoa. Não é relevante simplesmente porque mil reais não é mesmo relevante.

Mas quantos "vivem" com isso ou mesmo menos do que isso!

O pragmatismo que determina a renda de grande parte da população do país se relativisa quando trata do próprio estilo de vida de quem os aplica.

No final tudo se justifica. O valor de cada coisa dependerá da realidade de quem o atribui e não de quem lhes sofre as consequências.

Já que não me toca efetivamente e diretamente minha vida se o considere fora, extra, extrínsico à realidade especifíca de quem não vive a excrudência.

Totalmente intríseco para aqueles que carregam os pianos diários. Pior ainda será quando já nem isso puderem fazer.

Mas não tem problema pois nossa sociedade é prima por produzir poucos pianistas para os poucos teatros para seu exclusívo público e muitas, mas muitos braços para carregar pianos. Braços esses que substituem as hérnias que levaram os antigos. Mas isso só até eles serem totalmente dispensáveis.


Mas bolhas não duram para sempre.

 

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