domingo, 5 de dezembro de 2010

Más allá del horizonte

En mis andanzas por los caminos de esta vida conocí muchas cosas que ni siquiera imaginaba. Otras, descubrí que no eran aquello que pensaba saber. Tropecé muchas veces en las mismas piedras y mis manos se herieron en los mismos espinos más de una vez. Callos en los pies, grietas en las manos y arrugas en el alma. El viento que azota, el polvo que ciega, mientras nuestros labios resecos ansían por algunas gotas de comprensión.
Crucé y estuve en los caminos de muchas otras personas; unas más personas que otras. Algunas manos estreché entre las mías, otras me fueron negadas, pocas veces ofrecí mis manos al infortunio ajeno, y muchas veces mezquinas fueron mis manos.
Muchos fueron los colores de los ojos que vi. De unos recibí luz, de otros la ingratitud. Otros llenarán mis días con alegría. Oportunidades tuve de ofrecer mis ojos para otros pudieran ver a través de mis colores,  y varias fueran veces que el color de mis ojos fue el gris de la indiferencia.
Palabras traídas por el viento contaron que muchas cosas existían en las orillas del camino y que muchos caminos más había para ser seguidos. Pero nunca les vi, pues los muros que construí a mi entorno me protegían de las intemperies del mundo. Gracias a ellos no conocí muchas tragedias, pero tampoco fui capaz de convivir con el vacío y sufrí más de lo necesario cuando los rayos cortaron los cielos y los truenos se hicieron escuchar.
En los altibajos de las batallas, muchas veces erguí mi escudo no reconociendo la presencia de los aliados, empuñé mi espada y ofrecí su lámina a las personas que me eran y son más caras. A ellas les impuse mis más duros golpes, les dejé marcadas sus frentes  y cicatrices indelebles en sus almas.
Tuve pereza para sembrar, cultivar y cuidar algunos de mis sueños y deberes. La impaciencia fue muchas veces mayor que la necesidad de esperar el tiempo cierto de cada cosa.  Por ocasiones sentí el sabor desagradable de las cosechas realizadas fuera de su tiempo y malgasté mis esfuerzos en tierras estériles dedicando tiempo a las personas que no me merecían, dejando a lo largo aquellas que siempre se hicieran presentes cuando ya no tenía más fuerzas.
Ejemplos y consejos me fueran dados por personas que se importaban conmigo. Estos los guardé en el cajón de mi soberbia y orgullo y sin cuestionamientos seguí al pie de letra las determinaciones de palabras secas como el papel que todo acepta.
Vueltas y vueltas en el desierto. Bajo el sol calcinante, sufrimiento sobre la arena ante la necesidad en reducir mi arrogancia y testarudez.  Tardé mucho más de lo necesario en aprender que mucho de lo que pasamos la vida buscando esta muy cerca de nosotros, al alcance de nuestras manos.
 Mientras recorrí caminos oscuros y vislumbré solamente las dificultades que muchas veces me puse por delante, me olvidé del trabajo de muchos que me   antecederán y dejarán sus huellas como registros a ser reconocidos y analizados. Bastaba que yo fuera capaz  de observar y aprender con los errores de los demás, pues nadie tendrá tiempo para cometerlos todos. Nos equivocamos mucho y nos dejamos llevar por superficialidades y banalidades que nos encadenan a pesos inútiles que nos impiden avanzar y crecer. Pero a pesar de todo eso aprendí algunas cosas.
Aprendí que mejor sería recoger nuestros lastres, deshacer nuestros nudos y dejar que el viento inflase nuestras velas para seguir siempre en frente, rumbo al futuro. Como los navíos, fuimos hechos para los grandes viajes que a pesar de muy duros, sorprendiéndonos con situaciones adversas, nos regala siempre lindas escenas y nos premia con el privilegio de conocer y hasta mismo convivir y aprender con personas maravillosas que muchas veces nos enseñan las mejores rutas para nuestras vidas y, además generosas que son se disponen en viajar lado a lado con nosotros. El ciclo de la vida nos impone una alborada, un desarrollar y un ocaso, deseo ahora poder terminar mi pasaje en los océanos de esta vida como los grandes navíos: actuante en medio a las grandes batallas por los objetivos que nos proponemos o en grandes travesías del conocimiento, pero jamás ancorado en un puerto con temeroso por no saber lo que me reserva el horizonte.

Amanhecer



Amanhecer
Encontros, reencontros, abraços e saudações. O burburinho da alegria das pessoas que nos rodeiam. Gente de ontem, gente de hoje e o desejo de serem gente de sempre e sempre gente. Os sorrisos nos envolvem, palpitam corações repletos de esperanças. Linhas que se congestionam, vozes distantes que se fazem presentes em nossos corações. As palavras se entrelaçam, os olhares se cruzam, as mãos se encontram na fraternidade da comemoração. A ansiedade paira no ar e permeia todo o ambiente. Aparentemente alheio a tudo o relógio na parede nunca recebeu tanta atenção como agora. Falta pouco para se escutar entre as mais variadas explosões de cores  e ruídos a mudança da folha do calendário. Então o céu se ilumina em fogos multicores que hipnotizam a todos que estão a seu alcance. Crianças, jovens, adultos e os mais experientes se rendem à grandeza da esperança que se refaz a cada ciclo do tempo, que embora tenha sido por nós estabelecido, representa em grande parte as mudanças que somos capazes de realizar em nossas vidas. Abraços efusivos, a alegria que transborda. Ouvem-se aqui e ali a exteriorização de desejos sobre um novo tempo. Enquanto isso o véu da noite vai sendo lentamente retirado, as estrelas cintilam as ultimas vezes desejando que tenhamos mais tempo para observá-las. No horizonte desponta timidamente um sol a principio preguiçoso que ruboriza um céu  rajado de nuvens. Mas algo está distinto. É o Sol de um Novo Ano que se prepara para receber nossos sonhos, esperanças, desejos e nossa coragem de lutar pelo que acreditamos. Momento propício para refletirmos sobre esta grande viagem à qual chamamos vida. Reflexão sobre quem queremos ser, onde queremos chegar e quais pessoas gostaríamos que estivessem conosco. Tempo de traçar novos e velhos planos, de sonhar, sonhar de repente até o mesmo um mesmo sonho, mais usando luzes e cores diferentes e, por que não, outros olhos. Tempo de revalidar os nobres valores, de resgatar velhas e novas amizades e de reconhecer nossas virtudes e defeitos e fazer deles a matéria prima e os instrumentos para construção de um novo degrau. Nesse processo, quero que saiba que pode contar comigo e que conto com você. Desejo a você e aos teus que, de forças renovadas pela esperança de um novo ano, sejais capazes - assim como o Sol que desponta a cada manhã - de pintar suas vidas com cores diferentes, inovando sempre e percebendo no céu da noite as estrelas que sempre estão lá, esperando por nossos olhos. Que seja um ano bom, com muita saúde, esperança e dedicação aos sonhos que haveis sonhado e aos objetivos que haveis traçado. Desejo meu, é que possas estar mais presente, fazendo mais alegre os momentos que compartilhamos e que mantenhas sempre em seu rosto esse seu belo sorriso e esta luz que contrasta com o negro de teus olhos. Ouso mais ainda: desejo que seus dias comecem sempre acolhidos e respaldados pela decisão de, inspirados na esperança de este novo tempo, fazer das pedras do caminho as mais belas esculturas e de nossas experiências os mais expressivos quadros, lembrando sempre de usar as tintas de um novo... Amanhecer.

José Carlos Pandolpho – 02/01/2006

Com novas cores


Antes do horário de sempre, ainda com o aroma da noite que suavemente deixava seu lugar para um dia mais, eu abri a porta e me presenteei com os ares de uma nova manhã. No céu tímidas estrelas perdiam seu brilho, ofuscadas pela aurora que se fazia mais e mais presente. O silencio a minha volta me devolvia a calma que há tempos eu não percebia. O cachorro me observou sem maiores movimentos, não se levantou e cerrou os olhos outra vez. Fiquei observando a rua vazia, ouvindo o farfalhar das arvores, e sentindo na pele a suave brisa da madrugada. A grama molhou meus pés descalços e eu me vi menino outra vez. Tudo era tão simples, poucas coisas já bastavam e os dias passavam com as glorias da imaginação e a s vitórias conquistadas nas brincadeiras que compunham o tempo. O tempo, essa conjectura, que nos domina quando adultos, não tinha tanta importância e não causava problemas. No máximo a impaciência pela chegada de uma ou outra data especial. A impaciência pela realização de um sonho. Sonhos simples resumidos a algumas formas em plástico com rodas ou algo assim, apenas pretextos para as viagens que fazíamos nos caminhos de nossos mundos encantados. Recordei então sons, formas, cores, rostos que me acompanharam por aqueles dias. Senti na alma tão vivos sentimentos e pessoas que deixaram partes de si para eu construir aquilo que sou hoje. Nesse momento, meus olhos se irmanaram com as folhas das arvores, aquelas recobertas pelo orvalho da noite, estes com as lágrimas das lembranças de um tempo bom, quando tudo era simples e o amor mais presente. Como filtros disformes, as lágrimas fizeram surgir para mim, uma composição tão impressionista como um quadro de Monet. Percebi então, na imprecisão das formas e na fusão das muitas cores, uma beleza rara e uma simplicidade tão grandes que me senti livre outra vez. Por um momento muito breve, tudo se fez muito claro. Por um momento apenas, as correntes que nos prendem e o gesso que nos paralisa deixaram de envolver minha alma e minha mente. Me senti forte, capaz de tudo, senhor de meus caminhos, de minhas palavras e de meu querer. Breve foi esse momento. As lágrimas secaram, e um céu avermelhado surgiu. Mas pelo menos pude recordar depois que nada ficou para trás. Está tudo dentro de nós, basta com que tenhamos a coragem de passear pelos corredores de nossa memória e observar nas paredes de nossa historia os quadros que pintamos enquanto ainda vivemos. E notar que para mudar nossas vidas, basta com que pintemos nossas realizações com novas cores.

Eu era

Eu era
Quando percorri os caminhos tenros da infância que felizmente ainda surgem em lampejos que iluminam os olhos que por vezes se apagam.
Eu sou
Quando somo o que vivi, deduzo as mágoas, multiplico as esperanças e divido o pouco que há de bom em mim com aqueles que amo, reduzo imensamente meus débitos humanos quando compartilho com os amigos que ainda conheço um braço que faz, uma palavra que afaga, um olhar de cúmplice do sentimento alheio.
Eu serei
No caminho desta vida, com o auxílio dos viandantes, alguém melhor do que antes, do que hoje, esse instante.
Mais completo quando crescer cercado pela sombra amiga e fraterna e receber no rosto a brisa da caridade alheia que releva as imperfeições e exalta as virtudes do humano, ser este que dever ser reconhecido na sua integridade de pensamento, emoção e espírito. Estarei um passo além na busca pela perfeição, dom divino, quando transcender o orgulho íntimo e for capaz de enxergar no outro o complemento de si mesmo e compreender uma parcela ínfima ao menos do imensurável poder do Ser Supremo.
Eu era
Ser que acreditava ser salvador de mim mesmo.
Eu sou
Ser que ainda tenta compreender a simplicidade do óbvio..
Eu serei
Alguém quando for realmente humilde.