quinta-feira, 13 de setembro de 2012


... depois de uma longa caminhada já em noite alta, ao longe vi a luz que insistia em sair pela janela. Era frio e o cansaço já não espreitava o caminho, se fazia junto. Hesitante aproximei-me. Naquele momento todas as dúvidas de sempre se fizeram sentir. A tábua rude da porta conversava com a aspereza da mão que sentia o medo em tocá-la. Podia sentir o calor que aquecia o interior daquela casa. Mas ao mesmo tempo, a história de muitos dias de intempéries resultavam em uma realidade muito viva. Enquanto o corpo jazia na inconsciência do eu diante daquela porta, o vertigo dos  pensamentos paralisava qualquer intenção. A soma dos "se(s)", a multiplicação de questionamentos dividiu o ser em inúmeras partes, cada vez menores, mas não diminuiu em nenhum momento a angústia do não perceber, o medo do poder sentir, o saber que a esperança já não vagava nas fronteiras do eu. O sopro gélido da noite se fez sentir, a mão não tocou a rudeza da porta. A luz continua saindo pela janela, o calor recolheu-se em si mesmo. O passo estacou junto com o cansaço de si. Somente o medo seguiu espreitando um coração na noite alta e fria. (trecho - Ecos de mim – JC Pandolpho).

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