Encontros
Momentos há em que percebemos, mesmo que apenas nesses
fugazes momentos, que a vida é uma sequência destes.
E vivê-los, cada um a seu tempo, sem os ranços do passado e
a ansiedade pelo porvir, parece ser a melhor forma de fazê-lo.
Entretanto, quase sempre dispendemos de uma longa sequência
de momentos de vida para lograr compreender a simplicidade dos mecanismos desse
processo. E, ainda quando nos precatamos da possível veracidade dessa óbvia
realidade, conseguimos tropeçar em nossas equivocadas perguntas e nos deixamos
atropelar pela velocidade dos desejos que tentamos realizar - mesmo os mais
fantasiosos - à custa de deixar-se para realmente viver um pouquinho depois. E
o depois pode não chegar a ser, vir ou existir.
Sacrificam-se constantemente milhares de possibilidades em
prol de uma escolha; uma infinidade de factíveis experiências em favor de uma
decisão. Um simples desvio de olhar pode representar não ver alguém que quiçá fosse relevante e até mesmo necessário em nossas existências, retardando um crescimento pessoal tão necessário. Não obstante, apesar de nossa insuficiente
compreensão de Tudo o que nos envolve, nada ocorre por conta do acaso. Mesmo
que nos esforcemos em nos esquivar de algumas situações na vida, há
experiências das quais não podemos e não conseguiremos nos furtar e, uma mera
tentativa de fazê-lo, trará consigo um sofrimento que não se fazia necessário.
Menos mal que os grandes projetos da humanidade não recaem
sobre muitos e, na maioria das vezes, as consequências de nossos atos ou da
falta deles, influem para bem ou para mal, em grupo relativamente reduzido de
pessoas, que normalmente configuram nosso círculo de pessoas mais prezado. Observando-se esse fato, nota-se o quão importante e significativo pode vir a ser, para bem ou para mal, nossa forma de observar, imaginar, entender e, principalmente, atuar no mundo. Quantas vezes um sorriso pode ter resgatado alguém
de um momento em que a tristeza estava em vias de dominá-lo? Quantas vezes
empurramos com um simples olhar alguém que estava a beira de seu abismo
pessoal? Como poderemos auxiliar ao nosso semelhante –semelhante em
imperfeições e virtudes – a tornarem-se e a tornar-nos seres melhores a cada
dia?
Complexas e abrangentes questões que, talvez, encontrem suas
respostas na simplicidade de um coração isento dos desejos supérfluos de um
mundo onde o descartável dita a ordem do momento. Talvez aquela visita tão
postergada àquele amig@ que há tempos não se vê? Talvez Um telefonema para dizer
apenas um olá. Porém, tudo está tão corrido, tão difícil, tão conturbado ante os
inúmeros e “importantes” afazeres aos quais nos submetemos a diário. Temo o fim
do dia e o momento de solidão na noite, quando sozinho com os pensamentos de
ontem, hoje e de amanhã, levanta-se imperiosa e soberba a dúvida sobre o
significado dessa forma de existir: Valerá a pena tudo isso?
Mas logo um novo alvorecer proporciona outra vez o imerecido
direito de eleger-se outra opção e, vamos nós outra vez embarcar nesse insano
carrossel de onde pedimos com insistência para descer! Compreender a natureza
humana? Talvez seja uma pretensiosa aspiração que cabe somente a uns poucos
iluminados. Esses sim, talvez encontrem um significado mais consistente para
suas próprias existências, muito embora isso não implique que consigam realizar
aquela visita, fazer aquele telefonema. Talvez o encontremos em uma última
homenagem a um amigo em comum...
Devaneios, abstrações, fantasias? Espero que não. Se, assim
como penso ser, a vida seja constituída de momentos, espero que mesmo que
esporadicamente, possa eu viver em utopia alguns deles, e possa vir a ser melhor
que no tempo anterior. Dia desses, num momento desses, vivi um momento lúdico.
Foi quando te encontrei recentemente. Havia um sorriso sincero em seus lábios.
Depois vieram as palavras, que contaram sobre o ontem, versaram sobre o hoje e
divagaram sobre um amanhã. Um rico vocabulário pode descrever por meio de
palavras simples ou eruditas os fatos ocorridos nesse dia. Entretanto, não
alcançariam e não poderiam expressar o que se pode apenas sentir. Entre a
sensação de ser recebido com sincera alegria e uma infinidade de palavras, fico
eu com a primeira, fico eu com teu sorriso.
Amplexos.
08-10-2008
Nenhum comentário:
Postar um comentário