sábado, 7 de maio de 2011

Caminhando no vazio

O tempo parou por dentro.
Já ninguém nas ruas observa meus passos.
Folhas secas destinadas ao vento.
Passeio o olhar sobre o tempo manchado nas paredes de sempre.
Velhas arvores alcançam o alto com seus braços envoltos no verde do simbiota.
Oculto entre as grises núvens, o azul do céu espia o vazio levado pelas mãos do transeunte.
Na tarde surda do insipiente inverno apenas se sente um coração que segue.
Pétreo e inerte, o pensamento já não evolui. Limitado à massa orgânica que o gerou (será?).
Palavras recrudecem na ante-sala da dúvida. Não serão pronunciadas. Seriam apenas ecos.
Carece a importância dada as coisas grandes e pequenas.
O lugar comum encheu a volta do ponteiro.
Os sonhos alheios evanescem o sono próprio.
Sobre a mesa o pó se acumula indemne.
No papel a noticia perdeu a cor.
Do ontem registra-se a névoa que envolveu as possibilidades.
Do momento, a expectativa do próximo movimento do ponteiro.
Do futuro, a visita do sol sobre o verde que envolve braços.
Da alma, a evolução daquele pensamento preso.
De todos, nova tinta sobre as manchas do tempo nas paredes de nós.
De mim, novo destino para as folhas secas levadas.
Surdo o coração segue.
Manhã cinzenta de abril.
Passos, folhas e saudade.
 

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